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Redução da fertilidade masculina global é um dos desafios da medicina reprodutiva do século 21

Segundo estudo internacional realizado com mais de cem mil homens de cinco países, inclusive brasileiros, as taxas médias de testosterona caíram mais de 50% nos últimos 50 anos. O hormônio é essencial para produção de espermatozoide e afeta diretamente a capacidade reprodutiva do homem

A queda da fertilidade masculina no Brasil e no mundo é uma realidade apontada por diversas pesquisas. Estudo apresentado no encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), no início de julho, em Londres, identificou uma redução de 54% nos níveis médios de
testosterona nos últimos 50 anos. O levantamento foi realizado com dados de 118.593 indivíduos da Dinamarca, EUA, Brasil, Finlândia e Israel, coletados
entre 1972 e 2019.

A queda do hormônio pode estar associada a uma combinação de inúmeros fatores altamente prevalentes no mundo moderno: obesidade, diabetes, privação de sono, sedentarismo, envelhecimento da população, estresse crônico, dentre outros. “São dados contundentes que acendem um alerta para importância de se olhar com mais cuidado para a saúde reprodutiva do homem e sobre a importância da conscientização sobre estilo de vida e prevenção”, afirma Gérsia Viana, especialista em medicina
reprodutiva e diretora da Huntington Cenafert, clínica que integra um dos principais grupos de Reprodução Assistida do Brasil.

A testosterona desempenha um papel fundamental na produção de espermatozoide. Quando seus níveis estão reduzidos, pode ocorrer comprometimento da espermatogênese e da fertilidade. “Além disso a queda do hormônio também afeta a libido e a função erétil, dificultando a concepção”, afirma o médico Joaquim Lopes, da Huntington Cenafert.

Além de afetar diretamente a saúde reprodutiva, os níveis baixos do hormônio a longo prazo podem causar vários impactos à saúde masculina, causando perda de massa muscular (sarcopenia), risco de osteoporose, aumento de peso, variações de humor, perda de foco e memória e maior risco para doenças metabólicas como diabetes e problemas cardiovasculares.

No Brasil, de acordo com levantamento oficial do Ministério da Saúde, os atendimentos por infertilidade masculina mais que dobraram em uma década. “O
aumento da procura por atendimento reflete não apenas um cenário de queda da fertilidade, que vem acontecendo globalmente, mas também revela uma mudança de comportamento: mais homens estão buscando ajuda para lidar com problemas de fertilidade, que ao longo da história sempre foram atribuídos à mulher”, afirma Gérsia Viana.

Hoje, já se sabe que cerca de 35% dos casos de infertilidade são atribuídos a fatores femininos, 35% a fatores masculinos e nas demais situações o problema está presente em ambos os parceiros ou não tem causa definida. “A responsabilidade pela infertilidade é compartilhada igualmente e deve ser sempre investigada por ambos os parceiros”, ressalta Joaquim Lopes.

Infertilidade masculina

Inúmeros fatores podem afetar a produção e a qualidade dos espermatozoides. Dentre eles, tabagismo, sedentarismo, obesidade, estresse crônico, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e uso de drogas. Além dos hábitos de vida,
fatores hormonais como a redução da testosterona, genéticos e ambientais também podem afetar a capacidade reprodutiva masculina.

A exposição a agentes químicos, como solventes, pesticidas e alguns metais pesados como o chumbo, pode afetar o sistema hormonal e,consequentemente,
prejudicar a fertilidade.

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) são outro fator de risco, uma vez que podem causar danos ao aparelho reprodutor masculino, afetando a
qualidade do esperma e a passagem dos
espermatozoides pelos ductos reprodutivos.

O uso frequente de anabolizantes por jovens que frequentam academias em busca de aumentar a massa muscular também é fator de risco. Segundo os especialistas, essas substâncias suprimem a produção hormonal natural dos testículos, comprometendo a produção de espermatozoides e podendo causar infertilidade.

“Cada caso deve ser criteriosamente investigado, nem sempre se trata de uma única causa, a origem da infertilidade pode ser multifatorial, ou seja, uma
combinação de fatores, mas mesmo diante desse cenário, a infertilidade masculina pode ser tratada. Quando a gestação espontânea não é possível, técnicas de reprodução assistida permitem que muitos casais realizem o sonho de ter filhos”, esclarece Joaquim Lopes.

Saúde reprodutiva

Manter-se no peso saudável, não fumar, praticar atividade física regular, controlar o estresse e a ansiedade, fazer sexo seguro, dormir bem, ter uma alimentação equilibrada, manter uma vida sexual saudável e regular, e evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são algumas das medidas benéficas para condição de fertilidade.

Evitar exposição dos testículos ao calor excessivo e prolongado assim como controlar doenças crônicas também são recomendações válidas para manter a saúde reprodutiva masculina.

Além da adoção de hábitos saudáveis, os exames de rotina e a consulta anual ao urologista também são fundamentais para manter a saúde reprodutiva do
homem.

Fonte: Carol Campos
Assessoria de Imprensa
Crédito: Magnific

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