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Contradição em Sapeaçu: Prefeito decreta contenção de gastos, mas é alvo de questionamentos após mudança para imóvel avaliado em R$ 1,5 milhão

Sapeaçu (BA) — Uma aparente incompatibilidade entre a realidade financeira declarada à Justiça Eleitoral e o atual padrão de vida do prefeito de Sapeaçu, Ramon de Sena, tem gerado intensos questionamentos por parte da população e de lideranças políticas locais. A controvérsia ganha contornos de denúncia pública em um momento crítico para a gestão, que impôs um rígido decreto de contenção de despesas e promoveu festividades juninas sob um regime de austeridade, alegando escassez de recursos.

Na última eleição, o gestor declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir um patrimônio total de apenas R$ 60 mil, correspondente a um terreno na localidade de Água Branca. Entretanto, moradores e profissionais do setor imobiliário apontam que o prefeito passou a residir em um imóvel de alto padrão, avaliado pelo mercado em cerca de R$ 1,5 milhão. A disparidade entre a evolução patrimonial e a renda declarada, somada a relatos sobre a aquisição de um novo veículo de luxo, transformou-se no principal tema de debate político no município.

O contraste entre o discurso de “cinto apertado” exigido da máquina pública e a aparente ostentação pessoal do chefe do Executivo levanta debates sobre a necessidade de fiscalização por parte dos órgãos de controle. Especialistas em direito público ressaltam que, embora a aquisição de bens por agentes públicos demande transparência, a falta de justificativa clara para uma mudança de patamar financeiro tão expressiva em curto período de gestão pode suscitar indícios de irregularidades que exigem apuração rigorosa pelo Ministério Público e pelos tribunais de contas.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Sapeaçu e com o prefeito Ramon de Sena, solicitando esclarecimentos sobre a procedência dos recursos aplicados na aquisição do imóvel e dos demais bens citados, bem como a apresentação de documentos que atestem a legalidade da transação. Até o encerramento desta matéria, não houve manifestação oficial por parte da administração. O espaço permanece aberto para que o gestor apresente suas justificativas.

Fonte: Reinaldo Oliveira

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