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segunda-feira, 27 abril, 26
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Autodeclarados indígenas cresceram quase 600% em Feira

André Pomponet*

Abril é o mês em que, no Brasil, costuma-se homenagear os povos indígenas. Durante muito tempo informações sobre este segmento da população foram escassas ou inexistentes. Mas os números do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, trazem informações interessantes sobre a presença indígena no Brasil, mas também na Feira de Santana.

O que mais chama a atenção, à primeira vista, é que a quantidade de autodeclarados indígenas cresceu significativamente: eram 1.118 em 2010 e, no levantamento mais recente, tornaram-se 6.621.

Crescimento de impressionantes 592%. Isso significa que, na Princesa do Sertão, há 1,07% de indígenas no conjunto da população.

O detalhe é que 87% (5,6 mil habitantes) não sabem ou não indicaram a etnia à qual pertencem. Outros 12,1% (792 moradores) apontaram uma etnia de origem e 50 pessoas (0,77%) indicaram duas etnias.

O idioma português ou a língua de sinais é falada por 6,4 mil pessoas. Somente 18 indígenas não se comunicam em nenhuma das duas línguas.

Com relação aos idiomas indígenas, 6,4 mil declararam que não falam nenhum deles, o que corresponde a 99,1% da população total. 47 informaram que falam uma língua; e somente uma pessoa comunica-se em dois idiomas indígenas. Não se conseguiu obter a informação em relação a oito entrevistados.

No que se refere à alfabetização, 5,1 mil, com idade acima de 10 anos, sabem ler e escrever. O número corresponde a 91% da população. Outros 506 não são alfabetizados. Entre quem tem até 19 anos, 97,7% são alfabetizados; entre aqueles com idade superior a 80 anos, cerca de 70%.

A idade mediana dos indígenas feirenses é 39 anos. A medida estatística sinaliza que metade da população tem idade superior à mediana e, a outra metade, inferior. Para cada grupo de cem mulheres, há 80 homens, conforme também apuraram os pesquisadores.

Os indígenas feirenses moram, majoritariamente, em casas: 3,2 mil ou 82,6% do total. Mas residem também em apartamentos, conforme declararam 330 deles ou 8,3% dos entrevistados no grupo. Outros 350 residem em vilas e condomínios e há sete morando em cortiços.

O que mais chama a atenção no conjunto de informações é o crescimento na quantidade de indígenas na Feira de Santana. Salto vertiginoso, que suscita indagações. As pessoas estão reconhecendo mais sua identidade? Talvez seja isso. Migração não foi: por aqui aportaram refugiados venezuelanos de origem indígena, mas não foram tantos. Mas fica, lançado, um tema interessante de pesquisa.

*André Pomponet é jornalista,economista e atua na TVU

Foto: Luiz Tito

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