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A história do trabalho no mundo e no Brasil e o debate atual sobre a escala 6×1: uma contribuição

Por : Professor Carlos Alberto 

A trajetória do trabalho – compreendido como o esforço humano, seja ele mental ou braçal, para criar produtos, oferecer serviços, alcançar metas, buscar o próprio sustento, o crescimento individual ou modificar o mundo ao redor -, está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento da humanidade. Desde os primórdios das civilizações, o trabalho sempre desempenhou um papel vital na garantia da sobrevivência, embora a maneira como ele se organiza tenha sofrido transformações radicais ao longo dos séculos, particularmente com o advento das disparidades sociais e dos modelos econômicos.

Em tempos remotos, o conceito de trabalho frequentemente vinha atrelado à ideia de exploração, a exemplo da escravidão, um costume difundido globalmente, presente em praticamente todos os cantos do mundo e culturas ancestrais. Basta observar o Império Romano, que dependia consideravelmente da força de trabalho escrava ou na Idade Média, quando o feudalismo imperava e os servos ‘dedicavam’ seu labor aos senhores feudais em busca de amparo e meios para sobreviver.

Porém, uma mudança profunda no trabalho aconteceu com o advento da Revolução Industrial, iniciada na Europa, quando, durante aquela época, as pessoas começaram a receber um salário em troca do seu trabalho feito nas fábricas, ainda que em condições muito ruins: horários extensos, salários pequenos e nenhum direito sequer. Foi assim que os primeiros grupos de trabalhadores se organizaram para exigir melhorias trabalhistas.

Em terras brasileiras, segundo narra a história, o início das atividades laborais teve uma natureza predatória, notadamente através da escravidão, um sistema que deixou cicatrizes profundas na estrutura social nacional. Com a Lei Áurea, em 1888, o Brasil embarcou numa jornada de mudança rumo ao trabalho remunerado, impulsionada significativamente pelo desenvolvimento industrial durante o século passado.

Mais recente historicamente, a instituição da Consolidação das Leis do Trabalho durante a gestão do governo Getúlio Vargas, representou um momento crucial. A CLT assegurou direitos essenciais, a exemplo da jornada laboral com limite, férias remuneradas e um piso salarial, simbolizando um avanço considerável para a classe trabalhadora.

Além disso, a narrativa retrata como, através das épocas, as desavenças entre os empresários (proprietários dos recursos produtivos) e os empregados (que oferecem sua mão de obra) sempre existiram. Enquanto os patrões visam ampliar seus ganhos, os funcionários batalham por situações favoráveis, remunerações justas, bem-estar entre outros direitos.
Vale lembrar que esse conflito – classe empresarial versus classe trabalhadora – não significa necessariamente oposição absoluta de um contra o outro. Pelo contrário, revela interesses diferentes que precisam ser equilibrados seja por meio de leis, de negociações e/ou de políticas públicas que protejam ambos.

Falando em proteção, atualmente um dos debates mais relevantes no mundo é a proposta de acabar com a escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). No Brasil, que está em vias de aprovar mudanças neste sentido, tem na escala 6×1 quase que uma prática em setores como comércio e serviços.

Os defensores do fim da escala argumentam que a jornada atual é excessiva e prejudica a saúde física e mental, reduz o tempo de convivência familiar e lazer, além de não acompanhar as mudanças tecnológicas que aumentaram a produtividade. Do outro lado, parte da classe empresarial argumenta que a mudança pode aumentar custos, gerar redução de contratações, além de dizerem que alguns setores dependem de funcionamento contínuo.

Uma proposta associada ao fim da escala 6×1 é a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, ideia já debatida em vários países e se baseia no argumento de que a produtividade atual permite trabalhar menos sem diminuir a produção. Entre os possíveis benefícios estão melhora na qualidade de vida do trabalhador, aumento da produtividade (trabalhadores mais descansados) e geração de novos empregos, com divisão das jornadas.

No entanto, defendem alguns que a implementação da escala 6×1 exige planejamento e diálogo entre trabalhadores, empresas e governo. Além disso, é necessário que políticas econômicas garantam sustentabilidade para todos os setores da economia: primário, secundário e terciário.

ESCALA DE TRABALHO NO MUNDO

No Brasil, como dito, a escala 6×1 é bastante comum, pois a legislação permite até 44 horas semanais, e muitos setores (comércio, serviços, indústria) adotam 6 dias de trabalho com 1 de folga. Na índia, como exemplo, a escala 6×1 também é frequente, especialmente no setor informal e industrial, e, mesmo existindo leis, a prática costuma ser de 6 dias por semana.

Na China, oficialmente, a jornada padrão é de 5 dias, mas há práticas como o “996” (9h às 21h, 6 dias/semana) em algumas empresas. No México, tradicionalmente trabalha-se 6 dias por semana, com 1 dia de descanso obrigatório.

A escala 6×1, segundo informações colhidas, é menos comum em países com legislação mais rígida e foco em qualidade de vida, a exemplo da França que tem jornada de trabalho mais curta (cerca de 35 horas semanais) e, em geral, 5 dias de trabalho. A Alemanha é outro país com forte proteção trabalhista – normalmente 5 dias por semana; além do Reino Unido, cujo modelo comum é 5×2 (5 dias de trabalho, 2 de descanso) e do Japão, onde oficialmente a escala é 5 dias, embora haja cultura de horas extras.

A ESCALA DE TRABALHO PROPOSTA PELO GOVERNO

Na terça-feira, 14 de abril, o governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei (PL) com urgência constitucional propondo o fim da escala 6×1, reduzindo a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. A proposta visa estabelecer a escala 5×2 (5 dias de trabalho por 2 de descanso).

Na última quarta-feira, 22, A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da PEC que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso). A proposta agora segue para uma comissão especial para discussão de mérito antes de ir ao plenário daquela Casa.

Se por um lado a história do trabalho está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento da humanidade, ela também mostra que os direitos trabalhistas não surgiram de forma espontânea, mas como resultado de lutas sociais e transformações econômicas. O debate sobre o fim da escala 6×1 e a garantia de emprego sem redução de salários é mais um capítulo dessa trajetória.

Encontrar um equilíbrio entre os interesses da classe empresarial e da classe trabalhadora é essencial para construir uma sociedade mais justa, produtiva e humana. Até porque, salvo melhor juízo, o trabalho não deve ser apenas uma necessidade, mas também uma fonte de dignidade e bem-estar.

FSA-BA, 27/04/2026 – Dia da Empregada Doméstica

Foto destaque: (IA) Empregada doméstica

*Por: Carlos Alberto- professor, radialista e mestre de cerimônias

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