Por Luiz Tito
O artesanato é algo muito presente nas ruas de Feira de Santana, muitos artistas ganham suas vidas vendendo arte em feiras, praças, transportes coletivos, bares e restaurantes. São trabalhadores independentes que tentam cativar as pessoas com trabalhos feitos com as próprias mãos, à espera que as suas artes conquistem um olhar e garantam os seus pães do dia a dia.

Entre esses artesãos, um jovem negro de cabelos rastafári, sempre vestido com calções, camisetas e chinelos de dedos. É comum na vida noturna da Princesa do Sertão, de bar em bar, a presença de Felipe de Jesus, 30 anos, carregando nas mãos um mostruário com seus artesanatos e no rosto um aspecto de felicidades, transmitindo a certeza de que será mais uma noite vitoriosa.
Morador do Alto do Rosário, o jovem popularmente conhecido como o Rasta das Pulseiras, há dez anos desenvolve essa rotina pelas ruas do Centro da Cidade e não se envergonha de cumprir essa missão sempre caminhando. Rapaz! Eu caminho todo o Centro de Feira. Bato uma paleta sem noção de quilometragem. Só pego o buzu na hora de ir para casa. Isso quando dá certo! Quando não dá (não vende), vou batendo paleta”.
O capoeirista ( quase mestre) e também percussionista se emociona ao falar da sua atividade. “Para mim, é um orgulho sobreviver da minha própria arte. Faço o que gosto. Infelizmente essa atividade não é valorizada. Não tem uma valorização artística.
“Tem gente que compra o nosso trabalho dizendo que é para ajudar. Mas vamos derrubar as barreiras e superar os obstáculos. No passado foi muito pior”.
Após citar os feirenses, Nei Gravação, Naldo Rasta, Nilton Rasta e o saudoso Neném como suas referências, Felipe deixou a seguinte mensagem, “que as pessoa que vivem a descriminar os artesões, que se conscientizem e estudem a cultura e arte, afinal, elas salvam, resgatam vidas, conscientizam pessoas e fazem revoluções”.
Fotos: Luiz Tito





