Por Luiz Tito
Casa de ferreiro, espeto de pau. Nada disso, o ditado popular que combina com a realidade de Samuel Ferreira Rabelo, 58 anos de idade, é, filho de peixe, peixinho é. O motivo é bem simples, ele herdou do seu pai a profissão de alfaiate e até hoje sobrevive dela.
Nascido na cidade de Itamaraju, Extremo Sul da Bahia, aos dez anos de idade Samuel começou a aprender a profissão. Na época, o bom e velho alfaiate, cujo ofício era indispensável para os homens que queriam andar na moda e bem trajados e o meu pai tinha uma grande freguesia.
“Eu o ajudava em algumas pequenas funções, mas sempre observando outros detalhes”, lembrou.
Em 1984 a família mudou-se para Feira de Santana, nesta cidade o jovem deu prosseguimento a sua atividade profissional, mas antes, trabalhou como vendedor de tecidos e posteriormente se associou a um amigo em uma alfaiataria. “Essa parceria me proporcionou um grande aprendizado e aprimoramento. Tínhamos uma boa clientela formada por empresários, políticos, médicos, advogados, enfim, homens de todos os segmentos”, resumiu.
Segundo o alfaiate, que é evangélico e especialista em fazer e consertar calças, a profissão está em extinção, mas ele ainda sobrevive dela. “Graças ao nosso bom Deus não falta o pão e as contas estão em dia. ”.
Além da modernização, a dificuldade de encontrar alguns tecidos no mercado também foi citada pelo alfaiate. Segundo Samuel, outro fator negativo é a compra de calças já prontas vindas da China. “Mas nada comparável com o que faço. Tenho clientes fiéis. Alguns antigos de outras cidades e principalmente os da igreja”, relatou.
Muitos preferem comprar as calças em lojas espalhadas pela cidade, porém, a arte do alfaiate, com sua impecável habilidade de fazer ajustes precisos, seguindo as linhas e curvas do corpo dos clientes é algo prazeroso para Samuel. “Não me vejo fora dessa profissão”.
Segundo o alfaiate são sete os caminhos para confeccionar a vestimenta masculino a partir de uma fita métrica: “comprimento, cintura, quadril, altura, coxa, joelho e boca. Após essa fase, em função de atender o gosto do cliente, entra em ação a minha criatividade com o tecido, a tesoura, máquina de costura, agulha, dedal, linha, botões, etc.”, garantiu.

Fotos: Luiz Tito





