Tudo começa quando Sileno ama.
Quando a noite do desconsolo baixa,
A solidão semelha-se a uma caixa,
Em cujo fogo o coração se inflama.
Pego um livro de páginas amargas
E vou direto ao poema que me chama
Ao íntimo fulgor – ele é todo chama
De um coração que não divide cargas.
Subo e desço serras, enfrento vagas.
Vou por caminhos; sinto que me resta
Alívio redentor de contas pagas.
“Tristezas não pagam dívidas”, dizes.
Por isso é que passeio por floresta
De amor, de canto e pássaros felizes.
(Florisvaldo Mattos. SSA-BA, 20.11.2017)

Ilustração: Henri Matisse, Colagem.





