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Quase 10% dos baianos vivem em favelas e comunidades urbanas

André Pomponet*

Depois da refrega por nomes e cargos para as eleições majoritárias baianas, acredita-se que se aproxima o momento dos candidatos se debruçarem sobre os problemas que afligem os baianos para apresentar soluções. Os números do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), recentemente divulgados, podem servir de guia para diagnósticos. Está se supondo – talvez ingenuamente, vá lá – que, nos programas de governo, problemas estarão apontados, com o respectivo conjunto de ações indicado.

Segundo o Censo 2022, foram mapeadas 572 favelas e comunidades urbanas da Bahia. Apurou-se que 1,370 milhão de baianos (9,69% do total) residem nestes espaços, que totalizam 160 quilômetros quadrados. É grande a aglomeração: 8.561,72 habitantes por quilômetro quadrado. As favelas baianas abrigam 677,3 mil domicílios, o que corresponde a 9,85% do total de habitações recenseadas.

Normalmente as favelas e comunidades urbanas são mais comuns em grandes e médias cidades. Os pequenos municípios – presume-me – não costumam abrigar estes aglomerados. Mas, mesmo restrito às cidades maiores, a questão apresenta ampla heterogeneidade, assim como heterogêneas são as diversas regiões da Bahia.

Mesmo assim, há elementos comuns. A vida na favela, por exemplo, é mais corriqueira para as pessoas pretas: elas representam 22,3% da população total, mas são 39,2% dos residentes em comunidades; os pardos ostentam condição um pouco melhor: são 57,3% da população do estado e 51,1% em favelas. Os brancos, por sua vez, são 19,6% dos baianos e apenas 9,3% dos habitantes das comunidades.

Alguns números, à primeira vista, surpreendem: 53,8% dos domicílios baianos tem conexão à rede de esgoto e, nas favelas, 85,6%; Nas comunidades, 98,1% tem acesso à rede de abastecimento de água, contra 83,1% da população em geral; o percentual de banheiros para uso exclusivo é próximo: 96,9% contra 99,1% em favelas; e a coleta de lixo chega a apenas 83,3% da população em geral, mas a 96,5% das favelas.

Os dados acima oferecem elementos para constatações. Pretos e pardos – a população negra – alvejados pela exclusão histórica, seguem compondo a maioria absoluta dos baianos mais pobres, residindo em habitações precárias, comuns nas favelas. Festejam-se muitos avanços recentes, mas a exclusão segue, indiscutivelmente, como um grande desafio.

Moradores de favelas e comunidades têm mais acesso a alguns serviços públicos essenciais do que a média da população baiana. Não se trata de um privilégio: mais comuns em grandes cidades, as favelas estão mais próximas das redes de oferta destes serviços. Municípios menores, mais distantes e a população rural seguem à espera das tão anunciadas extensões destes serviços. Sem muito sucesso até aqui, como se vê.

Um recorte simples já oferece um panorama do desafio de levar serviços essenciais a milhões de baianos. Oferece também uma amostra de que as desigualdades sociais e raciais tem endereço facilmente localizável. Não se diluem no território, concentrando-se nas favelas, em pequenos municípios e no rural invisibilizado.

Enfim, não é por falta de informação que os problemas que afligem os baianos não são resolvidos.

Foto Favela em Salvador / do Stock | Adobe Stock*André Pomponet é jornalista, economista e atua na TVU

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