No dia de Tiradentes, Feira de Santana celebra a resistência viva de um de seus maiores patrimônios culturais: Nunes Natureza.
Foto: Luiz Tito
Hoje, 21 de abril, o calendário brasileiro marca o feriado nacional, mas para a cultura feirense, a data pulsa com uma vibração mais íntima e ancestral: o aniversário de Raimundo Nunes Silva, o icônico Nunes Natureza. Natural do distrito de Jaguara, Nunes transformou sua origem humilde em um estandarte de luta, tornando-se um dos pilares da resistência negra e popular em Feira de Santana.
Como descreve com emoção a amiga Lucidalva de Assis Santos, ele é “um poço da cultura que mata a nossa sede”. Para ela, Nunes é uma figura que transcende fronteiras: “Ele semeia cultura por onde passa, uma figura muito especial, ele é patrimônio cultural de todo o Brasil. Hoje é dia de bater tambor, rezar, orar e pedir muita Axé,paz e luz ele”.
Um legado forjado na Identidade e na luta popular
A trajetória de Nunes é um mosaico de arte e compromisso social. Músico de alma plena, sua obra não se restringe aos palcos, mas se funde ao asfalto e ao barro das comunidades onde atua. Recentemente, a força desse laço comunitário se provou inabalável quando amigos e admiradores se uniram em uma rede de solidariedade para apoiá-lo no tratamento de saúde.
Essa mobilização foi o reconhecimento público àquele que o músico e compositor Gilsan define como uma força da natureza: “As palavras em tese não conseguem definir Nunes Natureza. Ele é demasiado humano; em meio às condições disfuncionais da vida, ele é Sobre- Vida. Feliz aniversário, poeta, ex-Presidente do Pomba de Male e militante da Equidade Sociorracial. Axé!”.
A Simplicidade que transforma a Rua em Altar cultural
Uma imagem ( foto destaque) guardada com carinho no arquivo da memória ilustra bem a essência desse mestre: um aniversário surpresa ocorrido anos atrás, em sua modesta barraquinha na Rua Marechal Deodoro. Cercado por amigos como Lucidalva, Carmen, Felipe Rasta e o saudoso Nilton Rasta, Nunes aparece diante de um bolo adornado com as cores vibrantes do reggae.
Ali, entre o movimento frenético do centro da cidade e o calor do afeto genuíno, o sagrado e o profano se abraçaram para celebrar a existência de quem faz da rua o seu palco mais honesto. É nessa simplicidade que a força de sua presença se manifesta, reafirmando que a cultura popular é feita de gente, encontro e verdade.
A voz que semeia esperança para as futuras gerações
Celebrar Nunes Natureza é, acima de tudo, reafirmar o valor da cultura popular como ferramenta de transformação política e espiritual. Ele não apenas preserva tradições; ele as mantém pulsantes e relevantes para os jovens que veem nele um espelho de identidade.
Em um mundo que muitas vezes tenta silenciar as vozes das periferias, Nunes permanece como um farol, ensinando que a verdadeira grandeza reside na coerência entre o que se canta e o que se vive.
Vida longa ao mestre que faz da natureza humana sua maior partitura e continua a semear luz nos caminhos de Feira de Santana. Parabéns! Nunes Natureza.
*Por Luiz Tito com a colaboração de Gilsan e Lucidalva





