Com três décadas de estrada, Noide Lago da Conceição é a alma sonora que transforma vibração em melodia nos palcos baianos
Em Feira de Santana, o nome de batismo — Noide Lago da Conceição — pode até soar desconhecido para os desavisados, mas basta pronunciar “Pente” para que as batidas do coração musical da cidade reconheçam o seu mestre. Aos 55 anos, este operário do áudio carrega nos ouvidos a experiência de quem já moldou o som de grandes bandas e eventos particulares, cruzando estradas entre a Princesa do Sertão, Salvador outras cidades baianas.
Para ele, a mesa de som não é apenas um emaranhado de botões e cabos, mas uma extensão de sua própria sensibilidade, onde a técnica rigorosa se encontra com a poesia da harmonia perfeita.
A trajetória de três décadas é marcada por um domínio técnico que garante a pureza de cada nota captada sob as luzes dos refletores. Como técnico de som freelancer, Pente assume a responsabilidade vital de equilibrar frequências, eliminar ruídos e garantir que a voz do artista chegue límpida ao público.
Hoje, sua maestria é a marca registrada dos eventos no Clube dos Trabalhadores do Comércio de Feira de Santana, onde a excelência sonora ecoa por todos os cantos, provando que um bom espetáculo começa muito antes da primeira luz se acender, nos ajustes minuciosos de quem entende o silêncio e o som.
“Me divirto trabalhando”, confessa Pente com a simplicidade de quem encontrou sua verdadeira vocação entre as ondas senoidais e os decibéis. Essa alegria não diminui a seriedade de seu papel: ele é o arquiteto invisível responsável pela mixagem e edição que dão vida a produções audiovisuais e shows ao vivo.
Cada evento é uma nova partitura, onde a atenção aos detalhes e a capacidade de resolver imprevistos em segundos se tornam o diferencial entre um ruído passageiro e uma experiência auditiva memorável que toca profundamente a alma dos espectadores.
Fotos: Luiz Tito




