Entre o fogo de 1990 e as lembranças de Jaime Cruz, renasce a crônica da boêmia feirense
As chamas que devoraram o casarão da Rua Comendador Targino, naquela manhã de julho de 1990, fizeram mais do que consumir madeira e alvenaria; elas incineraram um dos últimos redutos de uma cidade que não dormia.
O império do Velho Zu, figura lendária que transformou a noite em mística, sucumbiu sob o olhar impotente de bombas d’água falhas e o improviso de carros-pipa, deixando para trás o rastro de um tempo em que o prazer e a música ditavam o ritmo do coração de Feira.
Rapaz, ainda tem um bocado de saudosistas por aí…!, Jaime Cruz.
A imagem resgatada pelo engenheiro Jaime Cruz em suas redes sociais age como um fósforo riscado na memória coletiva, iluminando novamente os corredores onde a elite e o povo se confundiam na mesma penumbra, partilhando confissões de balcão e perfumes de época.
Ecos de um Império sob o signo da lua
O bordel do Velho Zu não era apenas um endereço; era o epicentro de uma vida social paralela, um porto seguro para os boêmios que buscavam o acalanto após o fechamento do comércio ou o fim das luzes oficiais.
Da Rua Direita para a Comendador Targino, o casarão carregava consigo a alma de um anfitrião que compreendia as fragilidades humanas como poucos, servindo tanto o sustento no restaurante quanto o refúgio nos quartos de segredos.
Hoje, o que restou daquele incêndio histórico — que também vitimou a vizinha loja Disbal — é o eco de um parágrafo libertino e folclórico da nossa história urbana, um fantasma que ainda percorre as esquinas da Senhor dos Passos e nos lembra que, embora o fogo apague a estrutura, a boêmia é eterna enquanto houver quem a conte.
Com informações do Blog da Feira/ Jânio Rêgo.



