Flagrei : Entre o concreto da Getúlio Vargas e a herança do sertão, a figura do vaqueiro reafirma a identidade cultural da Princesa do Sertão.
A poesia do gado na Avenida
No coração pulsante da “Princesa do Sertão”, onde o asfalto da Avenida Presidente Getúlio Vargas costuma ditar um ritmo frenético de buzinas e pressa, o tempo resolveu caminhar mais devagar na última terça-feira. Vestido de sol e resistência, um vaqueiro atravessou o cenário urbano sob as bênçãos silenciosas do Santuário Senhor dos Passos.
Sua indumentária, esculpida no couro curtido, não era apenas roupa; era uma armadura de história, exalando o cheiro do mato e a poeira das estradas que levam ao interior profundo.
Em frente ao Paço Municipal, o contraste era absoluto e magnífico. De um lado, a imponência neogótica do Santuário e a estrutura administrativa da cidade; do outro, o herói sertanejo carregando no ombro o berrante — esse instrumento que é, ao mesmo tempo, voz e comando.
O clique fotográfico capturou o exato momento em que o rural abraça o urbano, lembrando aos transeuntes que, por baixo da casca de metrópole, o coração de Feira de Santana ainda bate no compasso das cavalgadas.
O destino de quem guarda a origem
É uma imagem que transborda jornalismo documental e lirismo. Ver esse vaqueiro caminhar solitário, ignorando a modernidade dos carros coloridos que o cercam, é entender que a identidade de um povo não se apaga com o progresso.
Ele passa diante do Paço como quem presta contas à própria história, levando consigo a herança de gerações que fizeram desta terra o maior entreposto comercial e cultural do interior baiano. Sob o céu da Bahia, o vaqueiro segue, sendo ele mesmo o monumento vivo de uma Feira que nunca deixa de ser sertão.
Foto: Luiz Tito





