Entre tecidos que vestem causas e letreiros que batizam o cotidiano, a amizade entre jornalistas reafirma laços em Feira de Santana
A geopolítica que se veste
O jornalismo, em sua essência, é uma forma de resistência e de registro. Ontem (30) , esse registro ganhou novas cores e texturas através de um gesto de cortesia. Receber as camisas “Pátria Latina” e “Vietnã Hoje” das mãos de Valter Xéu não foi apenas um intercâmbio de mimos, mas o recebimento de símbolos que carregam décadas de narrativa global.
Cada fibra parece contar uma história de luta e soberania, transformando o vestuário em uma bandeira silenciosa, mas eloquente, carregada com a satisfação de quem compreende o peso da palavra e da imagem na construção da identidade de um povo.
A conversa fluiu como as pautas bem apuradas, entre lembranças e visões de mundo. Em um momento de descontração, surgiu a imagem de um estabelecimento localizado na Avenida Fraga Maia, em Feira de Santana, que leva o nome do amigo: o “Xéu Supermercado”.
É interessante notar como nomes que ocupam as trincheiras do pensamento também batizam os espaços do cotidiano popular, criando uma rima visual inesperada entre a seriedade da notícia e a simplicidade do comércio de bairro.
Ver o nome “Xéu” em um letreiro de supermercado é um lembrete poético de que, no fim das contas, a nossa maior mercadoria é a credibilidade que deixamos espalhada pelas esquinas da vida.



