Ex-jogador da base carioca e personagem icônico do Sertão, ele transforma o asfalto em galeria viva e celebra o simples ato de viver.
Passos de poesia e resistência urbana
Quem caminha pelas alamedas do centro, entre o burburinho do Mercado de Arte Popular e os horizontes da histórica Rua Nova, certamente já cruzou com a presença magnética de Juarez.
Verdadeiro patrimônio humano e exemplo de diversidade, ele é a própria personificação da arte radical andante. Com o corpo desenhado em tatuagens, adornado por piercings e ostentando um sorriso límpido no rosto, Juarez transforma a calçada em palco para prosas leves e memórias profundas. Bater um papo com ele é ver o tempo congelar diante de fatos ricos e histórias marcantes.
Na década de 1980, o mesmo homem que hoje desfila autenticidade vestia a chuteira no futebol carioca, com passagens pela base do Vasco da Gama e do Madureira. “Não tive sorte. Eu jogava muito, mas foi uma época de grandes valores individuais. Hoje eu seria profissional sem fazer muito esforço, o nível caiu muito”, relembra com nostalgia de quem viveu a paixão dos gramados com intensidade.
O ritmo da alma na Rua Nova

Apesar da saudade da bola nos pés, Juarez não guarda amarguras do passado; ele prefere abraçar o presente com alma aberta e convicção poética. Para ele, a filosofia de existência resume-se em uma síntese perfeita e atemporal: “o bom da vida é viver”. E assim, carregando boas ideias na cabeça, um olhar curioso por trás dos óculos e o peito cheio de histórias, ele se despede com leveza batendo em retirada rumo à Rua Nova — berço pulsante da cultura afro-descendente feirense.
Entre o asfalto quente da Princeza do Sertão e a brisa das tardes baianas, Juarez segue seu rumo não apenas como um morador da cidade, mas como uma poesia viva que insiste em lembrar a todos que a verdadeira beleza humana está na coragem de ser quem se é.
Fotos : Luiz Tito



