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quinta-feira, 8 outubro, 26
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Jornalista feirense usa redes sociais para relatar ameaça de morte e impactos na saúde

A jornalista feirense Dandara Barreto usou as redes sociais para relatar uma ameaça de
morte recebida em 2023, durante a cobertura dos desdobramentos dos ataques de 8 de
janeiro. No depoimento, ela também abordou as intimidações sofridas no exercício da
profissão, a perda de um bebê naquele período e as crises de pânico que exigiram
tratamento com antidepressivo por quase três anos.

Segundo Dandara, a ameaça foi registrada na delegacia e divulgada em uma publicação
que permanece fixada em seu perfil. A mensagem dizia que ela havia “mexido com as
pessoas erradas”, mencionava a placa do seu carro e sugeria que um latrocínio não seria
investigado.“Eu estava grávida e perdi meu bebê. Vivi essa perda naquele período, junto de todo aquele
sofrimento. Depois, passei a ter episódios de pânico e precisei de tratamento”, relatou.

À nossa reportagem, a jornalista contou que recebeu o diagnóstico de transtorno de
estresse pós-traumático (TEPT), condição que pode se desenvolver após experiências
traumáticas, como episódios de violência ou ameaças de morte, e provocar lembranças
involuntárias, pesadelos, medo persistente e estado constante de alerta, com impactos na
rotina e no bem-estar.

Ao discutir a imparcialidade jornalística, Dandara defendeu um jornalismo que noticia,
analisa e avalia criticamente quem está no poder, independentemente de sua posição
política. Para ela, contudo, esse compromisso não impede que profissionais denunciem a
violência que enfrentaram.

Nesse contexto, classificou o bolsonarismo como “profundamente nocivo para o jornalismo”
e explicou que seu depoimento parte das experiências que viveu como profissional.

Dandara relembrou que, no início do governo de Jair Bolsonaro, trabalhava na Rádio Jovem
Pan, em Feira de Santana, e recebia mensagens de ouvintes dizendo que iriam à porta da
emissora. Embora não tenha sofrido agressão física, afirmou que deixava o trabalho
receosa de que isso pudesse acontecer.
“Por segurança, mudamos a linha editorial e transformamos o jornal em 100% local”, conto
ou.

Na avaliação de Dandara, os ataques do então presidente à imprensa eram reproduzidos
por parte de seus apoiadores. “A hostilidade que vinha do presidente encontrava eco nas
ruas, nas redes sociais e nas mensagens que chegavam até nós”, afirmou.

O depoimento também abordou o sofrimento de trabalhar na cobertura da pandemia. Ajornalista recordou a rotina de anunciar mortes e atualizar boletins, destacando a dificuldadede preservar a dimensão humana em meio à repetição das estatísticas.

“Era preciso fazer um esforço consciente para lembrar que cada número representavaalguém. Uma pessoa com nome, história, família. Alguém que fazia falta”, disse.

Dandara afirmou que as experiências daquele período deixaram marcas em sua saúde,rotina e sensação de segurança. “A ameaça já não ficava restrita ao microfone ou ao meuhorário de trabalho. Entrava na minha casa”, declarou.

Ao tratar da possibilidade de reviver um ambiente de intimidação contra jornalistas, elaexpressou apreensão, mas reafirmou o compromisso de respeitar o resultado das urnas.

“Sou filha da democracia”, afirmou, ao mencionar que nasceu em 1988, ano da promulgação da Constituição brasileira.

Sem declarar voto ou pedir apoio a um candidato, a jornalista dirigiu uma reflexão aos eleitores que não participaram da votação. Disse compartilhar o relato por si e por colegas que dividem a mesma aflição, defendendo a participação eleitoral e a proteção da liberdade de imprensa.

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