No último dia 25 de abril, às 14h30, a Fundação Cultural Argemira de Oliveira, localizada no bairro Limoeiro, em Feira de Santana, foi palco de um importante encontro voltado à valorização da cultura local. Com o tema “Formação Cultural – Território Vivo”, o evento reuniu agentes culturais, lideranças religiosas e comunitárias, além de representantes de grupos tradicionais, marcando também a entrega da certificação de Pontão de Cultura à própria fundação e de Ponto de Cultura a duas entidades da região.
Promovido pela Fundação Cultural Argemira de Oliveira, o encontro teve como destaque a palestra do agente cultural Arthur Araújo, que abordou a importância das políticas públicas de cultura e do reconhecimento das iniciativas comunitárias. “O território vivo é aquele que respira cultura, que preserva suas raízes e projeta seu futuro a partir da identidade do seu povo. Esse reconhecimento fortalece as bases culturais e abre caminhos para novos projetos e investimentos”, destacou Arthur.
A produtora cultural Taylane Conceição, também ekede do Ile Ase Labafun e vice-presidente da fundação, ressaltou a importância da certificação para o fortalecimento das ações culturais locais. “Esse momento é histórico para todos nós. A certificação reconhece o trabalho que já vem sendo feito e amplia as possibilidades de atuação, principalmente para os jovens e para a valorização das nossas tradições”, afirmou.
Representando a espiritualidade e a resistência cultural dos terreiros, o babalorixá Jurandir Ribeiro, do Ile Ase Labafun, destacou o papel da cultura afro-brasileira na construção da identidade do território. “A cultura de terreiro é base, é ancestralidade. Esse reconhecimento é também um ato de respeito à nossa história e à nossa fé”, pontuou.
A presidente da Fundação Cultural Argemira de Oliveira, Eutalia Bastos, enfatizou o compromisso da instituição com a cultura e a comunidade. “Esse é um dia de conquista. Lutamos muito para chegar até aqui, e ver esse reconhecimento acontecendo dentro do nosso espaço é motivo de grande orgulho e responsabilidade”, declarou.
Em um momento simbólico, Argemira de Oliveira, referência que dá nome à fundação, também deixou sua mensagem. “Sempre acreditei na força da cultura como ferramenta de transformação social. Ver esse espaço sendo reconhecido e servindo à comunidade é a realização de um sonho coletivo”, disse.
Representantes de terreiros e grupos culturais também participaram ativamente do evento. Pai Edvan Barreto destacou a relevância da união entre as entidades. “Quando a gente se fortalece em conjunto, conseguimos avançar mais. Esse reconhecimento é de todos nós”, afirmou.
Já Mãe Ivana Viana reforçou a importância da preservação cultural. “Nossa cultura precisa ser cuidada, respeitada e passada adiante. Esse tipo de iniciativa ajuda a manter viva a nossa tradição”, disse.
Encerrando as falas, Lucas Conceição, do Batuque de Terreiro Oyá, celebrou o momento como um marco para a cultura local. “O batuque, a música, a dança, tudo isso faz parte da nossa identidade. Esse reconhecimento nos motiva a continuar e crescer ainda mais”, destacou.
O evento consolidou-se como um espaço de troca de saberes, valorização das raízes culturais e fortalecimento das políticas públicas voltadas à cultura, reafirmando o papel das comunidades na construção de um território verdadeiramente vivo.
Crédito das fotos: Reginaldo Santos





