Na foto (IA) o Armagedom (do hebraico Har Megiddo, “Monte Megido”) é descrito no livro do Apocalipse (16:16) como o local da batalha final entre as forças divinas e o mal
André Pomponet*
Já faz um tempo que o mundo está do jeito que o diabo gosta. Guerras, ditaduras, ameaças à liberdade e à democracia, fanatismo religioso, proliferação de discursos do ódio, governantes promovendo e locupletando-se com fraudes e falcatruas, episódios de pirataria de Estado, fome, miséria, desigualdade, migrações forçadas por conflitos bélicos e – novidade assustadora! – pela mudanças climáticas.
Talvez seja por isso que Donald Trump – irretocável caricatura de anticristo – esteja se coçando para escalar a guerra que promove no Oriente Médio, recorrendo, quem sabe?, a artefatos nucleares. Inquietantes notícias na imprensa norte-americana dão conta que o imperador alaranjado andou tentando acessar os códigos da famosa mala nuclear que pode decretar o armagedom. Foi contido por um general.
Enquanto o armagedom não vem, os argentinos substituem, em suas refeições, carne bovina por muares. É isso mesmo: os hermanos estão recorrendo à carne de burro como fonte de proteína. Na tevê, uma repórter provou a iguaria, com ar de repugnância, para provar à população que o produto é uma opção palatável. Tudo para manter Javier Milei, o histriônico mandatário de lá, em alta.
Notícias recorrentes informam, com orgulho, que os fundamentos macroeconômicos estão sólidos por lá. Nos anos 1990 o Brasil também atravessava uma época assim. Alguém até definiu de maneira lapidar o cenário brasileiro naquele momento: a economia vai bem, mas o povo vai mal. A Argentina foi fisgada em arapuca semelhante.
Aqui no Brasil parte da chamada grande imprensa entusiasma-se, cada vez mais, com Flávio Bolsonaro, o filho do “mito”. A razão? Seu desempenho nas pesquisas, emparelhado com Lula. Além de livrar os golpistas da cadeia, o candidato, até aqui, não revelou nada do que pretende fazer. Entende-se: pelo visto, não pretende fazer nada.
Com relação à carne de burro, os brasileiros podem ficar tranquilos. Ninguém a comerá. Caso a extrema-direita ascenda ao poder, certamente dezenas de milhões roerão ossos, farão sopa com embalagem de charque, comerão pequenos roedores no interior do Nordeste. Esse é o passado que essa turma pretende resgatar, retomando o próprio cenário do governo de Jair Bolsonaro, o “mito”, de uns poucos anos atrás.
Isso se o armagedom de Donald Trump não nos atropelar antes.
*André Pomponet é jornalista, economista e atua na TVU





