Entre avental, toca, luvas e o aroma de frutas frescas, empreendedora transforma desafio em dignidade e afeto no centro da cidade
Da semente do recomeço ao calçadão
Sob a rotina acelerada dos pontos de ônibus no centro de Feira de Santana, o anúncio ritmado acorda o calçadão com promessa de frescor e acalento. Equipada com touca, luvas, avental e um carrinho impecável, Patrícia Santos de Almeida transformou a incerteza do desemprego na pandemia em um manifesto diário de autonomia.
O que nasceu ccoragem de selecionar as primeiras bananas, maçãs e mamões na feira livre aos domingos tornou-se um porto seguro para a família, moradora do bairro Mangabeira, a mãe de dois filhos e avó de um neto, para vencer as distâncias e garantir o rigor higiênico, Patrícia alugou uma casa no próprio centro urbano, onde higieniza e fatia cada fruto com precisão artesanal antes de sair, pontualmente às 14h, com a força de vontade de quem faz do trabalho a sua melhor poesia.
Mais do que uma rotina que garante a venda de mais de 50 copos diários regados a leite condensado e granola, o carrinho de Patrícia converteu-se em um ponto de encontro entre a pressa da rua e o cuidado de quem serve.
Freguesas fiéis, como a funcionária comercial Thaís Alves, acompanham essa trajetória desde 2019, atestando que o verdadeiro diferencial da salada de frutas reside no tempero invisível do respeito, do afeto e da limpeza extrema.
Entre o fluxo dos passageiros e o retorno para casa às 19h com o carrinho vazio, Patrícia ostenta com orgulho a caminhada que constrói todos os dias: a certeza de que, embora o asfalto seja duro, a honestidade do trabalho tem o poder soberano de alimentar a alma e sustentar o lar.
Fotos e texto: Luiz Tito



