
Debaixo do sol tudo é Vaidade!
Debaixo do sol,
até os espelhos aprendem a discursar.
Há quem transforme dor em vitrine,
quem use cicatriz como medalha,
quem erga identidade não como travessia,
mas como trono.
E então a palavra,
que deveria ser ponte,
vira faca ungida de moral.
Falam o que querem,
ferem o que podem,
e escondem a violência
sob a sombra confortável dos estatutos,
como se idade fosse salvo-conduto
para a arrogância.
Mas vaidade também envelhece.
Tudo passa,
tudo se desfaz na poeira quente do tempo,
enquanto alguns disputam
quem sofre mais alto,
o povo segue contando moedas,
dividindo o pão,
perdendo direitos em silêncio.
A luta não mora
na performance do ego.
Ela nasce no chão gasto das assembleias,
na mão que puxa outra mão,
na escuta difícil,
na paciência do coletivo.
Porque ninguém vence sozinho
uma guerra feita para nos fragmentar.
A vitória do pleito,
a esperança deste ano,
a reconstrução cotidiana,
não virão do brilho narcísico
de quem deseja ser monumento.
Virão do nós.
Do corpo coletivo que entende
que consciência de classe
não é aplauso individual,
é mutirão.
E que toda revolução verdadeira
precisa caber mais gente
do que o próprio espelho.
Por Laizza Carvalho Santos




