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Crise na Gávea e ostracismo no interior da Bahia O contraditório cenário do futebol em março de 2026

Tristeza de Juscelino, fanático torcedor do Tremendão,

*​Por Luiz Tito

​O Presente de Grego: Filipe Luís cai no aniversário do Rei

​O futebol brasileiro é mestre em roteiros improváveis, mas o que se viu na madrugada desta terça-feira, 3 de março, beira o surrealismo. No exato dia em que Zico, o maior ídolo da história do Flamengo, completava 73 anos de vida, a diretoria rubro-negra “presenteou” a nação com uma notícia bombástica: a demissão do técnico Filipe Luís.

​O contexto torna o desligamento ainda mais difícil de digerir para o torcedor comum. Horas antes, o Flamengo havia massacrado o Madureira por 8 a 0 no Maracanã, garantindo vaga na final do Campeonato Carioca com uma exibição de gala. No entanto, o “choque de gestão” prevaleceu sobre o placar elástico. A cúpula do clube, desgastada por perdas recentes na Supercopa e na Recopa Sul-Americana, além de rumores de um suposto acerto de Filipe com o grupo Chelsea, decidiu interromper um ciclo de cinco títulos em 16 meses.

​A sucessão foi instantânea. Leonardo Jardim, técnico português com passagens por Monaco e recentemente pelo Cruzeiro, já foi anunciado como o novo comandante. Jardim chega com a missão de trazer a “mão de ferro” europeia para um elenco que, apesar da goleada histórica, parecia viver sob a sombra de uma relação já deteriorada com a antiga comissão técnica.

​Feira de Santana: O silêncio das chuteiras

.​Enquanto o Rio de Janeiro ferve com trocas de comando milionárias, o cenário em Feira de Santana é de profunda melancolia esportiva. A “Princesa do Sertão”, outrora um celeiro de competitividade e de craques assiste ao declínio técnico de seus principais representantes.

​Bahia de Feira: O Tremendão vive um de seus piores momentos. Após uma campanha desastrosa no Campeonato Baiano de 2026, a equipe foi oficialmente rebaixada para a Segunda Divisão, terminando a competição na penúltima colocação. O o rico projeto com base na Arena Cajueiro não foi suficiente para segurar um elenco que parece ter perdido a identidade.

​Fluminense de Feira: O Touro do Sertão continua seu calvário. Estacionado na Série B estadual, o clube tenta se reestruturar através de sua SAF, mas o retorno à elite parece um sonho cada vez mais distante, deixando o torcedor feirense órfão de grandes clássicos no Joia da Princesa.

​Seleção Brasileira: Uma Copa do Mundo sob a Sombra do Medo

​Para completar o quadro de incertezas, 2026 é ano de Copa do Mundo. Entretanto, o clima nas ruas não é de “verde e amarelo” vibrante. Com a competição se aproximando, o sentimento predominante entre os brasileiros é de um pessimismo ruidoso.

​As estatísticas e o desempenho irregular nas Eliminatórias alimentam a desconfiança. Pesquisas de opinião indicam que quase metade da população não acredita no hexacampeonato este ano. Entre a crise institucional na CBF e a falta de um futebol que “encante”, o brasileiro parece encarar o Mundial mais como uma obrigação de calendário do que como uma esperança de glória.

​Em um março que deveria ser de celebração pelo aniversário de Zico, grande ídolo do futebol brasileiro, o futebol nos entrega demissões inexplicáveis, rebaixamentos dolorosos e uma Seleção que, pela primeira vez em muito tempo, não consegue fazer o povo sonhar.

Fotos: Luiz Tito

.​* Luiz Tito é premiadissimo repórter fotógrafico, atuou no jornal A Tarde, Feira Hoje, Notícias da Bahia, Tribuna Feirense, Diário da Feira, entre outros. Com várias exposições fotográficas, esse profissional tem fotos publicadas em grandes veículos de comunicação do Brasil. Atualmente é diretor e editor do projeto Digaí Feira – Site e jornal impresso

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