
A cidade de Sapeaçu, no coração do Recôncavo Baiano, vive um momento de profunda instabilidade. Em um anúncio que causou revolta, a gestão do prefeito Ramon de Sena confirmou a realização de um São João “modesto” e apelou publicamente por ajuda ao empresariado local para custear a festa. O pedido foi recebido com desdém pela classe produtiva: associações comerciais de Sapeaçu e da região foram categóricas ao afirmar que não há clima, nem confiança, para investir em uma cidade onde o gestor não transmite credibilidade, principalmente com o comércio local asfixiado pela falta de circulação de dinheiro.
O pedido de socorro aos empresários contrasta com a realidade das contas públicas: servidores acumulam quase três meses de salários atrasados e fornecedores amargam seis meses sem receber. Passados dois anos de governo, seis meses após a renúncia do ex-prefeito Dr. George e um ano e meio de sua gestão eleita, a administração de Ramon de Sena é marcada pela paralisia e falta de obras. Setores como saúde e educação pedem socorro e o isolamento político do prefeito é crescente. Eleito com o apoio do ex-prefeito Dr. George, Ramon rompeu com seu mentor e outros aliados, o que, segundo o próprio Dr. George, que governou quatro vezes com salários em dia e comércio forte, demonstra o erro na escolha de um sucessor despreparado para o cargo.
O desgaste administrativo transbordou para o legislativo. A população exige que os vereadores de situação e oposição se juntem e levem o caos administrativo e as irregularidades ao Ministério Público e TCM. O foco principal é a lisura dos contratos da prefeitura, especialmente com a empresa Pompéia, responsável pela folha de pagamento, que estaria concentrando cerca de 95% dos recursos anuais do FPM.
O apelo do prefeito por apoio privado para o São João é visto pela população como uma tentativa de manter uma fachada festiva em uma cidade que, na prática, parou de funcionar. Enquanto a gestão busca recursos para o festejo, o funcionalismo e os fornecedores seguem sem previsão de pagamento, aguardando que os órgãos de controle, como o Ministério Público e Tribunal de Contas da Bahia (TCM), intervenham para cessar o que consideram um descaso com os cofres e a dignidade do povo de Sapeaçu.
Fonte: Reinaldo Oliveira




