A falta de vacinas contra a raiva e clostridioses no mercado brasileiro foi o principal assunto do Café com o Produtor realizado nesta segunda-feira (24), pela Cooperfeira, em Feira de Santana. O tema foi apresentado por Rafael Ribeiro, gerente comercial da Vaxxinova Brasil no Nordeste, que alertou para um cenário nacional de desabastecimento.
Segundo Ribeiro, a escassez começou no ano passado e se agravou em 2026. Um dos principais fatores foi a interrupção da produção no Brasil por um fabricante que, conforme explicou, respondia por cerca de 60% do mercado de vacinas contra clostridioses. Os demais laboratórios não conseguiram absorver imediatamente essa demanda.
O problema não seria provocado pela falta de insumos, mas pela capacidade limitada de produção e pelo tempo necessário para fabricação e liberação dos imunizantes, processo que pode levar de quatro a seis meses. A expectativa é de aumento gradual da oferta, embora a normalização do mercado ainda possa demorar.
Fábrica de Feira opera com capacidade máxima
A unidade da antiga Labovet em Feira de Santana, adquirida pela Vaxxinova Brasil, participa do esforço para reduzir o desabastecimento. A fábrica produz vacinas contra raiva e clostridioses e, segundo Ribeiro, está operando com 100% da capacidade.
Vacinas produzidas desde janeiro começaram a ser liberadas em maio. Como a oferta ainda é insuficiente, a distribuição vem sendo feita em quantidades menores para alcançar um número maior de lojas e produtores.
Diante da escassez, a recomendação é que os pecuaristas planejem a vacinação. No caso das clostridioses, a prioridade deve ser dada principalmente a bezerros, animais em fase de desmama e outras categorias jovens que necessitam das primeiras doses.
Cerca elétrica também foi tema do encontro
O Café com o Produtor também recebeu Saulo Campos, diretor da Granja Berimbau, que abordou a eficiência das cercas elétricas. Com quase 30 anos de experiência no setor, ele destacou a importância do aterramento, da escolha adequada do eletrificador e da configuração da cerca de acordo com o solo e o tipo de criação.
Campos apontou ainda a diferença de custos. Segundo os valores apresentados, um quilômetro de cerca convencional pode chegar a cerca de R$ 20 mil, enquanto a elétrica varia entre R$ 4 mil e R$ 8 mil, dependendo do projeto. Ele também defendeu o treinamento de trabalhadores das propriedades para realizar manutenção e identificar falhas no sistema.
O Café com o Produtor é realizado semanalmente pela Cooperfeira e reúne produtores e profissionais para discutir temas ligados à atividade agropecuária.
Na foto: Rafael Ribeiro e Saulo Campos
Fonte: Assessoria de Comunicação | Cooperfeira / Marcílio Costa



