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segunda-feira, 27 abril, 26
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Como defender o Planserv se o Planserv não me defende – Parte II

*Por Professor Carlos Alberto

Em janeiro próximo passado escrevi um artigo intitulado “Como defender o Planserv se o Planserv não me defende”, conforme pode ser conferido nos links https://conectadonews.com.br/como-defender-o-planserv-se-o-planserv-nao-me-defende/ e/ou https://digaifeira.com.br/como-defender-o-planserv-se-o-planserv-nao-me-defende/. Naquela oportunidade havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) proposta enviada pelo Governo Estadual que alterou regras de contribuição, ampliou percentuais patronais e revisou critérios de adesão, inadimplência e cobrança para beneficiários e dependentes de servidores e servidoras do Estado da Bahia.

Pois bem, volto a tocar neste assunto – Planserv – para socializar com os(as) colegas servidores(as) do Estado da Bahia uma situação vivida por este que vos escreve e por minha esposa nestes últimos dias em Feira de Santana, ao procurarmos atendimento médico. Ademais, com o devido respeito, mais uma vez, aproveito para fazer alguns questionamentos os quais considero pertinente neste momento. Vejamos.

RELATO

Estado emocional de desânimo e impotência que surge quando expectativas não são atendidas, assim é definido o conceito de frustração. Nestes últimos cinco dias, especialmente nesta terça-feira, ao findar do mês de março, eu diria que essa definição por si só não contempla “os corres” que fiz(emos) em busca de atendimento médico pelo Planserv em Feira de Santana na Bahia, pois vi minhas – nossas – expectativas atingirem níveis insustentáveis.

Depois de um sábado (28) de muitas dores e moleza no corpo, dor de cabeça, corize e outros sintomas, resolvi procurar um médico. Como beneficiário – é assim que chamam, né? – do Planserv fui até o Hospital Emec em Feira de Santana e, ao chegar naquela unidade de saúde, a recepcionista questionou: “É Planserv, senhor?” Respondi sim, e ela continuou: “Devido à superlotação, não estamos atendendo Planserv no momento. Exceto grávidez, emergência …” e outros casos ditos os quais não recordo.

Superlotação? Cadê o povo? Perguntei. “É a orientação que temos, senhor!” Concluiu sem dizer mais nada e sem que eu perguntasse mais qualquer coisa. A única “saída” naquele momento, dados os sintomas e a vontade de ser atendido com brevidade por um profissional médico, fui procurar o hospital mais próximo.

O Hospital São Matheus foi o destino mais próximo que surgiu na mente, pois sempre soube que aquela unidade atende pelo Planserv; além de ser, naquele momento, mais cômodo para acessar. Pouca gente havia na recepção daquela unidade hospitalar, apenas uma médica pra atender, e, depois de algum tempo, diz o moço da recepção: “Pessoal, a médica precisa internar uma paciente e vai demorar ‘um pouco mais’ pra atender vocês”.

Como já havia “feito a ficha”, o jeito foi continuar aguardando, até que depois de cerca de duas horas e trinta minutos aproximadamente, já medicado e com a receita em mãos, fui pra casa seguir o prescrito. Sem melhoras, no entanto, resolvi voltar ao hospital novamente, e, por questão de escolha, pensei: vou ligar para o Emec, caso já esteja atendendo normalmente vou até lá desta feita.

Fui informado que o Emec estava atendendo, exceto se o hospital estivesse “lotado”, pois “essa seria a única restrição”, disseram-me por telefone. Dirigi-me para aquela unidade de saúde e quando lá cheguei, mais uma vez, fui informado, pessoalmente, que só estavam atendendo “grávidez, emergência …” ou seja, tudo o que já haviam dito anteriormente.

Ainda assim a atendente permitiu que eu tivesse acesso à Sala de Triagem, ao que entendi que o meu atendimento naquela hora dependia da classificação na triagem. Saí daquela sala com uma pulseira verde no braço e a informação “Volte à recepção que vão lhe chamar para “fazer a ficha”, assim o fiz”.

Chamado na recepção fui informado que o atendimento pelo Planserv era só para – e repetiram os blá blá blás – quando interrompi dizendo que já havia sido informado, mas ainda assim autorizaram a triagem e pediram pra que eu retornasse à recepção, em outras palavras, o velho empurra-empurra. Perguntei então por que permitiram que eu passasse pela triagem e por que pediram que eu retornasse à recepção, se não iria ser atendido pelo médico?

Tentaram explicar “que isso, que aquilo e aquilo outro…”, mas que eu poderia procurar atendimento em outro hospital, tipo “São Matheus ou H. Cárdio. A essa altura o(a) leitor(a) já deve imaginar porquê eu disse no início que a definição de frustração já não mais cumpria a sua função, e com o devido respeito, além de dizer “umas boas” a todas as recepcionista que ali estavam”, lembrei-as o que me disseram por telefone e que o hospital continuava vazio – pelo menos na recepção – também naquele momento.

Mais uma vez me dirigi ao Hospital São Matheus, chegando lá por volta de 10h20 da manhã, o hospital estava cheio desta feita. O tempo passou, a fome aumentava, assim como os sintomas, mas, após realizar exames de sangue e urina, ser medicado e com a indicação medicamentosa pra casa, às 17h15 pude deixar aquela casa de saúde e voltar pra casa.

Mal desci do Uber em casa e tive que voltar ao hospital, desta feita como acompanhante da minha esposa; e sem mais passagem pelo Emec, fomos direto ao São Matheus quando, na recepção, a atendente disse que pela ordem seriamos a décima sétima. Orientados sobre o H. Cárdio como local de atendimento pelo Planserv, nos dirigimos então para aquela unidade de saúde, quando alcançamos a segunda posição na fila de espera, sendo atendidos por volta das 21h00 e retornando pra casa à 00h45 da madrugada desta quarta-feira (1º).

ANÁLISE

Em Feira de Santana – quiçá, na Bahia -, a promessa de melhoria no atendimento à saúde dos servidores públicos estadual parece cada vez mais distante da realidade enfrentada por cada beneficiário do Planserv. O recente aumento nas contribuições, justificado pelo governo da Bahia como “medida necessária para ampliar e qualificar os serviços” tem gerado mesmo é frustração – ou em muitos casos, indignação.

Relatos como o feito aqui evidenciam um cenário para além de preocupante, vez que a repetição desse tipo de situação escancara falhas graves na comunicação, na regulação de leitos e, sobretudo, na rede credenciada do plano. E isso não se trata de caso isolado – creio – mas do sintoma de um sistema que parece operar no limite – ou além dele.

É inaceitável que, em momentos de necessidades, o beneficiário precise peregrinar entre hospitais, lidando com informações desencontradas e longos períodos de espera. A saúde, por sua natureza, exige agilidade, clareza e eficiência – atributos que, salvo melhor juízo, têm faltado no atendimento do Planserv, pelo menos em Feira de Santana.

QUESTIONAMENTOS

A sobrecarga de algumas unidades de saúde – na capital e no interior da Bahia – e a falta de previsibilidade no atendimento colocam em risco não apenas o conforto, mas a própria saúde de cada beneficiário. Do outro lado, o aumento da contribuição, que deveria representar um avanço na qualidade do serviço, levanta questionamentos inevitáveis:
a) – Onde estão sendo aplicados os recursos descontados em folha, mensalmente, de cada beneficiário?
b) – Por que a rede credenciada não acompanha a crescente demanda?
c) – E, principalmente, por que o beneficiário continua sendo o elo mais frágil dessa cadeia?

SUGESTÕES

Diante de situações como essas, considera-se urgente:
1) – Revisão profunda na gestão do plano;
2) – Transparência na aplicação dos recursos; e,
3) – Ampliação efetiva da rede de atendimento. Até porque mais do que justificativas, nós, beneficiários, precisamos de respostas concretas e, sobretudo, de um serviço que corresponda, no mínimo, ao que nos é cobrado.

FSA-BA, 1º de abril de 2026 (E não é mentira o que está escrito aqui)

*Por Carlos Alberto – professor, radialista e mestre de cerimônias.

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