Ah, se todo ano tivesse eleição! Os políticos, por saberem que o mandato seria de apenas um ano, fariam de tudo pelo cidadão, pela Nação e pela sua cidade.
Ah, se todo ano tivesse eleição! viveríamos num conto de fadas, cercados de super-homens por todos os lados. Não haveria dificuldades, já que não faltaria emprego e o salário seria o maior do mundo.
Ah, se todo ano tivesse eleição! Nossas cidades seriam as mais bem estruturada do planeta, com todos os setores do poder público funcionando condignamente. Haveria dois policiais em cada esquina, só mesmo para constar, pois, com todos empregados e ganhando bem, praticamente não haveria marginais e nem violência de qualquer tipo.
Ah, se todo ano tivesse eleição! Haveria médicos de todas as especialidades em todos os postos de saúde (afinal pagamos para isso) e o Samu não demoraria tanto para atender a um chamado de socorro.
Ah, se todo ano tivesse eleição! Os políticos cumprimentariam a todos com a mesma alegria e o mesmo entusiasmo que fazem de quatro em quatro anos. E o povo (pelo menos na aparência) teria o respeito que merece.
Ah, se todo ano tivesse eleição! Os músicos trabalhariam mais, melhorando sua qualidade de vida, tocando nas diversas campanhas e tirando o povo de casa para ver aquilo que ele realmente gostaria num comício: o show musical.
Ah, se todo ano tivesse eleição! Os professores teriam um salário digno da sua importância para a formação do cidadão e trabalhariam satisfeitos e felizes.
Ah, se todo ano tivesse eleição! As rodovias brasileiras seriam um autêntico tapete, sinalizadas e iluminadas, diminuindo significativamente o número de acidentes fatais, que ceifam vidas de famílias inteiras, muitos causados por um “simples” buraco na pista.
Ah, se todo ano tivesse eleição! Feira teria um time de futebol para disputar importantes competições nacionais, isso sem falar que o Joia da Princesa já teria sido ampliado e reformado, igualando-se aos principais estádios de futebol da Europa. Teríamos, assim, a Arena da Princesa.
Ah, se todo ano tivesse eleição! A nossa Micareta teria as atrações entrando na avenida, a partir do meio-dia e o artista local teria o seu cachê igualado ao das “estrelas” de fora, que vêm aqui levar o dinheiro que pagamos de impostos ao longo do ano. Dinheiro esse que jamais volta para Feira de Santana.
Ah, se todo ano tivesse eleição! Os hospitais gerais funcionariam com competência e ninguém precisaria recorrer a um plano de saúde, a fim de garantir o bem mais precioso do Universo: a vida!
Ah, se todo ano tivesse eleição!!!
*Sandro Penelú escreve a Caneta Afiada há vinte e dois anos, trazendo para o leitor temas que incitam a opinião de cada um, sempre visando a melhoria da nossa sociedade como um todo.
Nos anos 1990, Sandro Penelú assinava a coluna “Quero entender para aplaudir”, que era publicada em diversos jornais da cidade, num estilo satírico, abordando assuntos do cotidiano


