Amanhã (22), completa um ano que essa estação do BRT pegou fogo e até hoje não foi recuperada pelo Prefeito. Um absurdo desperdício de dinheiro público e uma clara demonstração de descaso com a população, que necessita se deslocar.
Aquilo que foi vendido por “especialista”, especialmente quem viaja todos os anos para a Europa em busca de novidades, como a solução para o transporte coletivo da cidade, se revelou, como os críticos já alertavam, como um grande desperdício de dinheiro público, além de uma irresponsabilidade para com as pessoas que necessitam utilizar desse meio de locomoção.
Anunciado pelo Prefeito, em março de 2013, teve a Ordem de Serviços assinada em 29 de junho de 2015, pelo então Governador Rui Costa, junto com o Ministro Kassab, autorizando o início das obras. O projeto previa 9,25km, com dois corredores – Avenida João Durval e Getúlio Vargas -, e atenderia um público de 56 mil passageiros(as).
Entre o anúncio e a entrega, conquistou votos que garantiram o Poder ao Grupo do Prefeito, em duas eleições.
Para a população, a obra nunca foi concluída, considerando que o Governo Municipal não entregou o que prometeu e os passageiros. Os ônibus que sairiam do Tomba e chegariam na UEFS em 18 minutos, nunca chegaram.
A promessa de viagens rápidas, confortáveis e sem que os veículos do BRT sofressem com o fluxo dos demais, pois teriam vias exclusivas, se transformaram em frustrações e sofrimento.
Não foram poucas as manifestações de técnicos, sindicalistas, ambientalistas e usuários(as), criticando o Projeto apresentado.
Com o passar dos anos, a Gestão Municipal, apesar de não assumir publicamente o fracasso do Projeto, transformou terminais em cemitérios e estações ficam ao deus-dará, como é o caso daquela localizada na Avenida João Durval, próxima ao Shopping Boulevard.
Aquela estação foi destruída por um incêndio em um ônibus, enquanto uma parada, em 22 de abril de 2025, sem que a Gestão Municipal desenvolvesse qualquer ação para recuperar o equipamento, que teve diversos materiais de uso destruídos, saqueados.
Em 13 de fevereiro deste ano de 2026, foi anunciado o início da reforma. Hoje, 21 de abril o equipamento continua sem reformar e sem uso. A presença de trabalhadores no local, é observada a cada 15 dias.
“Amanhã, dia 22 de abril, é dia de comemoração. Ou melhor, é dia de lamentar o descaso com o dinheiro público e um desrespeito absurdo para com a população que precisa se deslocar dentro da cidade e, também na zona rural”.
Uma obra tão cantada em verso e prosa pela grande mídia local, tão útil eleitoralmente para o Grupo político do Prefeito e tão esperada pela população não passou de coisa de especialista, peça publicitária, instrumento eleitoral.
O caos no trânsito da cidade tem muita relação com o descaso com o Planejamento, com o pensar no amanhã. As novas ruas são estreitas, todas as ruas e avenidas sem sinalização horizontal ou vertical, buracos e um volume de veículos que poderia ser reduzido se tivéssemos meios coletivos eficientes de deslocamento.
No censo de 2022, identificou-se que 16% da população de Feira de Santana se desloca a pé. Outros 32%, de bicicleta (9%), motocicleta (19%) e vans (4%), contra apenas 18% de ônibus. Ou seja, parte dos 48% de pessoas que transitam pela cidade (a pé, de bicicleta de motocicleta e de vans), poderia fazê-lo de ônibus se o sistema fosse eficiente.
Enquanto a Gestão não se preocupa com o(a) cidadão(ã), sim com a possibilidade de votos, só pensa no curto prazo, a cidade vive o caos e seu povo sofre.
https://www.facebook.com/share/p/1E1AQ4dYoj/
*Nei Rios é um fotógrafo e memorialista baiano, reconhecido por registrar a cultura e as feiras livres de Feira de Santana, Bahia. Ele criou uma obra artística marcante, um mapa da cidade composto por fotos das feiras locais em comemoração aos 190 anos da cidade. Também atua como colaborador no Blog da Feira e Digaì Feira .





