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Feira de Santana
sábado, 18 abril, 26
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O Abraço proibido: Quando o Sertão se faz abrigo na Cidade

Flagrei ​- A resistência verde que virou alento no coração da Princesa

​No pulsar apressado do Centro de Feira de Santana, a Princesa do Sertão, a dureza do asfalto encontrou um momento de inesperada ternura. Diz a sabedoria popular, em tom de advertência, que “mandacaru não dá nem encosto nem sombra”, evocando a imagem de uma planta espinhosa e hostil.

Entretanto, a lente atenta de Luiz Tito – Digai Feira capturou o exato instante em que a arte urbana subverte a botânica e o preconceito. Entre traços de tinta e a poeira da calçada, um trabalhador de limpeza urbana, vestindo seu laranja vibrante, curvou-se para encontrar um repouso improvável no desenho de um cacto. Não era apenas um encosto físico, mas um diálogo silencioso entre quem cuida da cidade e a imagem daquilo que melhor define a resiliência do povo sertanejo.

O contraste de espinhos e cores

​O registro é um poema visual que desafia a lógica dos ditados. O mandacaru, mesmo em sua versão pintada no muro, ofereceu o suporte que o cansaço exigia, provando que a arte tem o poder de suavizar as quinas da realidade e transformar o concreto em consolo. Ali, onde o sol não perdoa e a lida é bruta, o trabalhador e o cacto se fundiram em uma única silhueta de resistência.

É a prova viva de que, no sertão — seja ele geográfico ou de alma —, até o que parece ser feito de espinhos pode carregar a doçura de um breve descanso sob o céu da Bahia.

Foto: Luiz Tito


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