
Entre números do DIEESE e a esperança de valorização, educadores municipais cruzam os braços contra o silêncio do poder público.
O despertar da resistência
Sob o teto da APLB Feira, nesta sexta-feira (13), o ar não pesava apenas com o calor baiano, mas com a densidade dos números. Ana Georgina Dias, do DIEESE, traduziu em gráficos a dor que o bolso já sentia: o Fundeb transborda recursos enquanto a tabela salarial dos professores míngua em perdas acumuladas. Onde o governo vê apenas planilhas frias, os mestres enxergam o direito negado e a dignidade ferida, assistidos de perto pela direção regional que testemunha o nascimento de uma nova jornada de luta.
A voz que ensina é a mesma que agora clama por escuta. Após o vazio de propostas na audiência do CEAF, o governo ensaiou um adiamento, mas a pressa de quem tem fome de justiça antecipou o encontro para o dia 23 de março. Não há mais espaço para o compasso de espera quando o giz se recusa a escrever a palavra “conformismo” no quadro negro da história.
A Pausa necessária para o avanço
Diante da ausência de avanços, o silêncio das salas de aula se tornará o barulho das ruas. A categoria aprovou o Estado de Greve e uma paralisação estratégica para a próxima quarta-feira (18). Às 9 horas, o Sindicato deixará de ser apenas um prédio para se tornar o coração pulsante de uma categoria que, indignada, decide que educar também é um ato político de resistência e ocupação do espaço público.
O calendário da esperança já tem novas marcas: no dia 24, o destino do movimento será selado após a nova audiência.
Enquanto isso, carros de som e cartazes atuarão como versos de uma poesia urbana, narrando para a comunidade escolar que a luta de um professor é, no fundo, a luta por um futuro onde o conhecimento seja tratado com a nobreza que merece.
Por Luiz Tito com informações da Ascom APLB



