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segunda-feira, 9 fevereiro, 26
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A pandemia depois dos festejos juninos

Muita gente não gosta de abordar o assunto porque julga que a pandemia acabou, que a Covid-19 se tornou um tema repisado, ultrapassado, que teima em não sair do noticiário e que, inclusive, não é mais moda. Quem se dispõe a abordá-lo passa por insistente, chato e até – supremas acusações – hipocondríaco ou comunista disfarçado, interessado em incutir o medo e difundir o pânico na pobre sociedade crédula.
Mas o fato é que a pandemia não acabou. Os casos notificados e as mortes, a propósito, voltaram a subir no País.

Os festejos juninos resgataram a arraigada tradição nordestina, reaproximaram familiares e amigos, entusiasmaram multidões, movimentaram a economia, dinamizaram diversos setores produtivos e injetaram uma sensação de normalidade, depois de dois desafiadores anos de pandemia. A frenética mobilidade e as inevitáveis aglomerações, porém, reacenderam o risco de disseminação da Covid-19, principalmente em função da emergência de uma quarta onda.
Aqui na Feira de Santana, até 20 de junho, o número de casos da doença cresceu quase 150% em relação ao mês anterior, maio. Em 20 dias, foram 172 casos, contra 69 em todo o mês passado. As informações são da Secretaria Municipal da Saúde. Nos próximos dias, será possível mensurar os efeitos das
aglomerações juninas.

O avanço da vacinação – apesar do genocida negacionismo de muitos insanos que circulam por aí – vem ajudando – e muito – a frear casos graves e mortes, mas os riscos permanecem visíveis. Principalmente porque a vacinação perdeu ímpeto, sobretudo no que se refere às doses de reforço. Os mais expostos são
os mais velhos, os imunossuprimidos e, obviamente, quem não está com o esquema vacinal em dia.

Na Bahia os números também são crescentes, depois de um declínio acentuado. Ontem (27) havia 6,1 mil casos ativos. Em maio, a média móvel de infectados ficou, durante vários dias, abaixo de 300 casos. Com os festejos juninos – é bom ressaltar – há o risco do número de casos voltar a subir. Junto com ele, as mortes, embora não nas dimensões das ondas anteriores. Mas são mortes potencialmente evitáveis. Daí a tragédia.
Talvez, nos próximos dias, seja recomendável redobrar cuidados, sobretudo em relação ao uso da máscara em ambientes fechados. De olho nas eleições, os governantes foram flexibilizando a medida nos últimos meses, contrariando as orientações de especialistas. O resultado – óbvio – é o aumento no número de casos.

Há quem filosofe que o “velho normal”, pré-pandemia, nunca será integralmente resgatado. O debate é controverso e envolve múltiplas nuances.

O São João mostrou, no entanto, que muita gente ignora essa realidade porque se atirou, com ímpeto temerário, às celebrações juninas…

Por André Pomponet

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