Fraglei -Entre o ronco dos motores e o silêncio do canteiro, a vida encontra uma pausa necessária na Getúlio Vargas
Sombra, chão e lealdade
No coração pulsante de Feira de Santana, onde o asfalto da Avenida Presidente Getúlio Vargas costuma ditar um ritmo frenético de pressa e concreto, o tempo decidiu caminhar mais devagar. Sob o verde resiliente do canteiro central, um homem e seu cão desenham uma moldura de paz absoluta. O sol, que castiga a “Princesa do Sertão”, ali se torna apenas o iluminador de um repouso compartilhado.
Não há luxo, mas há o essencial: o travesseiro improvisado na mochila, o teto feito de céu e a guarda fiel de um companheiro de quatro patas que, em sua imobilidade, vigia o sono de quem lhe dá destino.
A cena revela o contraste poético da urbanidade: enquanto a cidade corre para chegar a algum lugar, o homem e o animal já chegaram ao destino mais valioso — o agora.
A grama, tantas vezes ignorada pelos transeuntes, torna-se um leito de dignidade onde a fadiga se dissolve. É um lembrete silencioso de que, mesmo no epicentro do comércio e do movimento, a humanidade insiste em florescer em pequenas frestas de sossego e companheirismo.
Fotos: Luiz Tito



