Quem vive nas ruas de Feira de Santana já se acostumou à visão de crianças de rua, tão incorporadas ao cenário urbano que muitas vezes falha em se sensibilizar quando passa por elas em semáforos, nos bares, restaurantes ou pelas calçadas. Elas fazem parte do cotidiano do feirense e estão sempre circulando no centro da cidade vendendo balas, doces ou pedindo dinheiro.

Nesta semana flagramos na avenida Senhor dos Passos, uma mulher com quatro crianças na faixa entre 06 e 8 anos. A mulher dava instruções como as meninas deveriam aborda os clientes para vender as suas balas. Evitando ser fotografada, a mulher preferiu não conversar com a reportagem.
Seguimos os pequenos e lentos passos de uma das crianças que entrou em uma loja de calçados. No local ela com a maestria de uma veterana desenvolveu algumas vendas. Segundo um dos comerciários desse estabelecimento comercial, há um grupo de mulheres que diariamente induzem crianças a esse tipo de atividade. “Já vi uma mulher obrigando uma menininha a vender. Na oportunidade a criança que não queria fazer as vendas levou alguns tapas dessa senhora”, disse.

Segundo a conselheira tutelar Andreia Vilas Boas, o Conselho Tutelar tem consciência dessa situação. “Já fomos aos locais mapeados, orientamos, retiramos das ruas, tomamos algumas medidas cabíveis, mas elas acabam voltando.” A pandemia do novo coronavírus agravou a situação econômica de milhares de famílias, e isso acabou ocasionado ainda mais a exposição ao trabalho infantil”.
A conselheira acrescentou que, “cada caso é um caso, é preciso conhecer o contexto para que sejam tomadas medidas extremas através da Justiça, como a perda do vínculo familiar com a retirada da criança daquele meio”.
Fomos orientados pelo CRAS – Centro de Referência de Assistência Social para procurar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, pois o órgão teria uma equipe formada por psicólogos, assistentes sócias entre outros, especificamente para atender crianças em situações de vulnerabilidades e riscos sociais.
Ligamos para o chefe do setor de prenome Roque, no primeiro instante ele nos atendeu, depois mandamos mensagens no WhatsApp e mesmo estando online, até o fechamento da matéria não nos deu retorno.
Texto e fotos: Luiz Tito





