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Feira de Santana
domingo, 19 abril, 26
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Escrevendo com a Luz

 

A missão do repórter fotográfico no seu dia a dia, ao contrário do que muitos imaginam, é uma verdadeira guerra. São ameaças de mortes e surras, no intuito de intimidar e tentar evitar que o profissional possa exercer a sua função e revelar situações que estão obscuras aos olhares da sociedade.

Mesmo com todos os obstáculos que são peculiares a função (já passei por um número incontáveis) o prêmio de um fotojornalista é saber que foi através de uma reportagem fotográfica e de texto que a pauta em questão tenha sido resolvida.

Reportar através da fotografia é uma missão muitas vezes árdua e que requer perseverança, coragem, equilíbrio, determinação e muita ética. Escrever com a luz é mostrar a verdade nua e crua, doa a quem doer, porém, com muita responsabilidade e equilíbrio, afinal, uma grande imagem vale mais do que mil palavras.

Todas as sextas- feiras o Jornal Digaí Feira estará publicando situações vivenciadas pelo repórter fotográfico Luiz Tito, nos seus 30 anos de fotojornalismo. Hoje falaremos da empolgação com Zeca Pagodinho.

Sou fã do cantor Zeca Pagodinho e apaixonado torcedor do Clube de Regatas do Flamengo, o Mais Querido do Brasil. Desde quando iniciei na profissão, sonho em fazer a cobertura de um jogo final do Flamengo, de preferência um Campeonato Brasileiro (Em 2020 tive essa oportunidade no jogo contra o Internacional no Maracanã, mas devido a pandemia do Covid-19 não consegui o credenciamento junto a CBF) e também fazer a cobertura fotográfica de um show de Zeca.

Entre idas e vindas de Feira de Santana, fui contratado pelo jornal Tribuna Feirense. Em uma bela tarde de domingo, vésperas de Micareta, fui pautado pelo editor Valdomiro Silva para cobrir a apresentação do artista na área do então Shopping Iguatemi. Parti para o local alegre, feito pinto no lixo, afinal, estaria realizando um dos meus sonhos profissionais.
Antes do show, dei uma aquecida na tradicional feijoada pré Micareta do amigo Paulo Norberto. No local só alegria, gente bonita, cervejas geladas, legítimos escocês e a tradicional feijoada com gosto de quero mais. Já sai de lá mais alegre.

Cheguei na área verde do Shopping algumas horas antes do início do show, era a minha grande oportunidade de dar um abraço em Zeca.

Ao chegar no local, para a minha surpresa e grande tristeza, tomei conhecimento que havia um fotografo monopolizando a cobertura fotográfica nos camarins. Mesmo credenciado tive dificuldades de ter acesso ao recinto em que o artista se encontrava.

Por ser fã de Zeca e conhecer boa parte de seu trabalho, lembrei-me de que praticamente vivi parte de minha adolescência ao lado de um dos seus compositores e falei para a sua produção: “Minha linda, nasci e fui criado no Rio de Janeiro com Beto sem Braço. Vendi frutas e verduras na feira de Coelho da Rocha com ele e briguei várias vezes com Goy, um dos seus filhos. Grande parceiro que já morreu e gostaria de fazer umas fotos do Zeca, ai no camarim, antes do show”. Imediatamente as portas se abriram, afinal, Beto Sem Braço foi um compositor que marcou a história do samba. Autor de mais de 300 sambas, inclusive o samba- enredo campeão do carnaval de 1982, pelo G.R.E.S Império Serrano, junto com seu parceiro Aluísio Machado, o samba enredo “Bumbum, paticumbum, prugurundum. Entrei, fiz todas as fotos que queria, fui fotografado ao lado de Zeca, bebi cervejas com ele, brindamos e sai do camarim feliz para fazer a cobertura do show.

Após esse momento inesquecível, fui para área do show para cumprir a pauta. Só que a emoção foi tanta que comecei a beber uma latinhas de cervejas e comecei a cantar e sambar ao ritmo de Zeca Pagodinho e esqueci que estava no local a trabalho. Resumindo, não fiz fotos do show.

O jornal Tribuna Feirense circulava das terças aos domingos. Na segunda –feira, ao chegar na redação, com uma ressaca de bebidas e felicidades, fui logo recebido por Valdomiro Silva, que cobrou-me o material da cobertura do show.

Foi ai que cai na real, já que só tinha foto do camarim e ele queria especialmente fotos do palco e público. Desesperado e com medo de ser demitido, lembrei-me que o colega Gledson Santos, do jornal Folha do Estado, estava no show fotografando. Liguei para o amigo ele me enviou umas fotos. Foi a minha salvação.

Deixa a vida me Levar…

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